Stranger Things traz jornada do anel em seu segundo ano
Will novamente está em apuros, sendo perseguido pelo Esfolador de Almas

Stranger Things traz jornada do anel em seu segundo ano

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Primeiramente fora Temer apenas leia essa review caso você já tenha assistido a segunda temporada de Stranger Things ou não se importe com SPOILERS.

Para nossa alegria Stranger Things está de volta. A série da Netflix apresenta mais 9 episódios nessa sua segunda temporada. E é surpreendente o quanto ela já está se inserindo na cultura geral. Toma o mesmo rumo que as maiores obras da cultura POP já tomaram. Até a página oficial do ENEM fez alusão à série em uma publicação.

Esse segundo ano voltou apresentando novos enredos, novos vilões, muitos desenvolvimentos de personagens e fechando lacunas da temporada anterior. A produção da Netflix novamente se baseou em trazer a nostalgia dos anos 90. O que foi aquela homenagem aos Caça-Fantasmas? Porém apresentou uma relação muito forte com outra obra presente em todo imaginário da cultura POP: O Senhor dos Anéis. Esse segundo ano trouxe um enfoque ainda maior no terror em seu início, mas do meio pro final se prendeu ao mundo da fantasia, se afastando de Stephen King e se aproximando de Tolkien.

Já havia ficado claro para todos a ligação entre Will “Zombie Boy”Byers e o mundo invertido ao final do primeiro ano. Will foi um hospedeiro para o Demogorgon e agora tinha um pedaço desse mundinho bizarro dentro de si. Logo de início já somos apresentados à essa ligação, que apenas foi se fortalecendo no decorrer deste ano. Estava curioso para ver o desenvolvimento do personagem e continuo assim. Porém, isso não ocorreu, e o jovem continua sendo um dos personagens menos desenvolvidos da obra. Apenas em certo trecho tentaram construir uma personalidade para ele. Quando seus familiares e amigos mais próximos contam histórias sobre o garoto que estava possuído pelo Esfolador de Mentes. Porém isso não resolveu o problema. Ele é um personagem bem difícil de ser trabalhado, já que nesses dois anos assumiu o papel de “donzela em apuro”. Porém vale ressaltar que nessa temporada ele foi bem mais do que isso.

Will precisa enfrentar o bullying proveniente pelo trauma sofrido na primeira temporada

Will é um personagem central e, por diversos fatores narrativos, tem que se manter distante em vários momentos da trama. Quando ele não está distante, vemos um personagem enfrentando um trauma e a pressão do ambiente escolar por conta de sua história de “morte”. Algo que o faz se distanciar da sua verdadeira e ainda misteriosa personalidade.

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Foi algo bem diferente do que ocorreu com Lucas, que na temporada anterior tinha sido um desperdício. Mesmo ocupando tempo em tela, seu personagem não havia sido bem trabalhado. Isso muda nesse segundo ano, quando conhecemos um garoto que logo no início já bate de frente com o racismo e questiona o papel de figuras negras na cultura Pop. A discussão sobre qual personagem cada um deles seriam em o Caça Fantasma foi simples e, ao mesmo tempo, profunda. É um tema na qual a série poderia se apegar mais. Além disso, finalmente tivemos um vislumbre da família Sinclair, que pareceu interessante, mas ocupou pouco tempo em tela. Porém já foi muito melhor do que a temporada anterior, em que a família do garoto foi a única, entre os principais, a não ser apresentada. Sua relação com MadMax também foi bem interessante. Principalmente por apresentar o caminho de realmente mostrar quem era para garoto. Um caminho diferente do tomado por Dustin, que ouviu péssimos conselhos de Steve.

Dustin novamente cumpriu seu papel. Conquistou corações. Tanto os nossos, com seu novo sorriso que ele fez questão de exibir muitas e muitas vezes, tanto o de um demodog, a nova versão do Demogorgon apresentado na temporada passada. Explorar a relação deles com seus amigos foi bastante interessante, com o garoto dividido entre contar a verdade a todos ou manter o seu novo personagem de estimação. Também achei interessante a construção de sua interação com Steve. Isso dá abertura para mudanças no comportamento do personagem, que agora vai receber conselhos de alguém mais velho (mesmo que esse alguém, muitas vezes, seja um completo babaca). Desde o início é sentida a falta da presença paterna na vida de Dustin, mas a série não trabalhou muito isso. É possível que Steve ocupe esse espaço. Pode ser algo bom ou pode ser um clichê meio furado para os próximos anos. Mas aposto que a série tem fôlego para tirar disso um enredo legal.

Mas foi sua relação com o demodog Dartagnan que roubou a cena. A personalidade curiosa do personagem ficou bem em evidência, assim como seu carinho pelo animal. No fim a série adotou um caminho em que a tentativa de impressionar Max fez com que o personagem adotasse o bicho, porém deu pra sentir um carinho muito grande nas cenas em que eles interagem. Ao final, a estranha amizade ainda acaba por salvar os aventureiros. Mas não sem antes custar a vida de um pobre gatinho. — R.I.P. Miauzinha.  😥

Max é a nova adição ao elenco infantil.

Também tivemos uma nova personagem. Com o nome mais maneiro e oitentista de todos, “Mad” Max apareceu para ser a nova integrante da guilda das crianças. A construção da personagem foi bastante interessante. Vinda da Califórnia, seria normal ela estranhar a pequena e pacata Hawkins, mas logo encontrou seu lugar. A construção de sua relação com o meio-irmão Billy foi bem forte e importante também. Os personagens apresentaram uma relação bastante abusiva, colocando um ponto importante de ser debatido na cultura pop: o abuso em relações familiares. Tanto o meio-irmão quanto o padastro apresentam comportamentos parecidos e deixam óbvio que a culpa do comportamento sádico do jovem é de seu progenitor. Mas o mais importante foi o enredo de superação da menina, que toma a frente e enfrenta Billy quando tudo parecia perdido. Apenas desejava que aquele taco de baseball tivesse atingido uns centímetros mais para cima.

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No núcleo adolescente, várias mudanças ocorreram. Além da adição de um maníaco psicopata ultra-violento, que nada mais era do que uma versão mais jovem do seu pai, tivemos o retorno de Jonathan, Nancy e Steve. Ao final da temporada anterior Steve e Nancy acabaram ficando juntos, após Steve provar que tinha alguma humanidade e sentimento por ela. Porém era óbvio que esse casal estava fadado ao fracasso, já que um espectro rondava Hawkins: o espectro de Jonathan. Já havia ficado óbvio a eletricidade entre o irmão de Will e a irmã de Mike. Agora eles finalmente chegaram aos “finalmente”. Apenas achei muito bizarro que tenha sido o conspiracionista bizarro (e meio pedófilo) que impulsionou o casal a ficar junto.

Os adultos da série já haviam sido bem desenvolvidos no início da temporada. Então esse ano eles foram levados para um caminho mais maternal e paternal. Hopper realmente é um personagem interessante, que consegue sair dos clichês que o xerife da cidade sempre tinha nos anos 90. Sua relação com Onze foi bastante intensa e bonita. As ações do personagens foram bem desenhadas para fazerem um paralelo com seu passado. Ele é um personagem que perdeu todos à quem amava e a dor da morte da sua filha ainda era uma ferida aberta. Em onze, o xerife vê outra chance de ser um pai e, mesmo dando o seu melhor, logicamente vai apresentar falhas, ainda mais se tratando de ser pai de uma criança procurada pelo governo.

Já Joyce Byers foi a mãe que acabou de passar pelo trauma de quase perder um filho. Creio que apenas uma mãe, um pai ou um guardião que passaram por isso podem perceber o sentimento envolvido. Não havia espaço para que ela desse qualquer espaço à seu filho Will. Isso fez com que seu protecionismo ficasse em evidência. Inclusive achei estranho a série não ter abordado a sua relação com seu outro filho. Joyce, diferente do primeiro ano, parecia a milhas de distância de Jonathan. Realmente em certo momento eles ficam a quilômetros de distância e ela mal percebe a falta da sua cria mais velha. Esse abandono tem bastante embasamento. Will acabou de voltar da morte certa e se tornou o centro das atenções, sendo óbvio que Jonathan perderia espaço. Porém seria interessante ver a série abordando esse distanciamento entre mãe e filho mais velho.

Mas o adulto que ganhou o coração de todos certamente foi o Bob. Logo de primeira já gostei do personagem, que trouxe uma sensação de normalidade e calmaria para a afetada família Byers. Tenho que confessar que ele ser interpretado pelo Sean Astin, nosso eterno Samwise Gamgee, apenas ajudou com que o personagem me cativasse. Bob ainda fazia um paralelo com a nerdisse das crianças e foi bastante interessante a série trazer um nerd ao núcleo de adultos. Sua participação também ajudou a aproximar algo muito presente nessa temporada: a relação dela com o Senhor dos Anéis.

Essa relação esteve muito presente em toda a temporada. O vilão principal ter sido apresentado apenas como uma sombra acabou criando uma relação direta com Sauron. Essa relação apenas se fortaleceu com a sua influência na mente do menino Will. Em certos momentos Will parecia claramente dominado pelo poder do Um Anel, inclusive revelando sua localização e de sua sociedade do anel turma para o senhor do escuro Esfolador de Mentes. inclusive a missão final dos diferentes grupos também remete claramente ao Senhor dos Anéis. Enquanto Frodo e Sam Onze e Hopper vão até a montanha da perdição o laboratório destruir o anel portal, os garotos e Steve vão até os portões de Mordor o centro do labirinto desviar a atenção do exército do vilão e abrir caminho para Onze completar sua missão.

Onze está de volta e ainda mais badass

E Onze! Que história foi contada para a garota nessa temporada! Com uma jornada completamente afastada do resto dos personagens, com exceção da sua aproximação inicial de Hopper, a menina pode brilhar e conhecer mais sobre sua história. O encontro com sua mãe foi emocionante. Enquanto que o encontrou com outra garota que também tem poderes abriu os olhos da garota para o mundo. O momento em que ela decidiu deixar a vingança para traz e salvar seus amigos foi simplesmente tocante, porém creio que é quase certo o retorno de 8 nas próximas temporadas, assim como a apresentação de mais crianças. Algo que ficou em aberto e pode ser interessante é o retorno do doutor Brenner, porém me questiono como é que ele teria conseguido sobreviver ao massacre que o Demogorgon fez na escola durante a primeira temporada.

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Algumas pessoas questionaram as cenas de ciúmes de Onze, que no início vê Max perto de Mike e derruba a garota do Skate para no episódio final ignorá-la. Compreendo a representação clichê que é feita com muitas mulheres na televisão e que isso precisa ser combatido. Porém a personagem em questão é uma criança que passou por experimentos terríveis e viu em Mike a primeira pessoa que a tratou com um pouco de humanidade. Ela é cheia de traumas, não teve um desenvolvimento saudável e vai mesmo apresentar comportamentos de egoísmo, ciúmes e desejo de vingança. Sua relação com Hopper mostrou bem isso e sua interação com Max apenas aprofundou esse ponto. Onze é uma personagem quebrada de várias maneiras e que ainda vai precisar de muito carinho e ensinamentos de todos à sua volta para se curar (além de um psicólogo. Seria muito bom um psicólogo pra menina).

Já Mike ficou um pouco distante nessa temporada. Com tanta coisa acontecendo, o personagem acabou sendo pouco aproveitado, porém nos episódios finais voltou a se aproximar do protagonismo. Sua relação com Will foi tocante enquanto via o amigo refém do esfolador de Mentes. Assim como foi emocionante sua reação ao reaparecimento de Onze no último episódio. Parece que o personagem passou toda a temporada contendo seu medo e sua raiva, deixando com que eles viessem à tona apenas no final.

Foi uma temporada muito boa de Stranger Things e creio que superou o primeiro ano da série. Foi delicioso ver nossos queridos personagens aproveitando um momento tranquilo ao final de tudo, porém muitos perigos ainda aguardam a pequena e pacata Hawkins. Afinal, o olhar do Sauron Esfolador de Mentes paira sobre a escola e muitas outras coisas estranhas virão por aí.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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