Representatividade LGBT em World Of Warcraft é muito fraca (ou inexistente)
World of Warcraft representa várias raças inexistentes, mas falha em representar pessoas LGBT que realmente existem

Representatividade LGBT em World Of Warcraft é muito fraca (ou inexistente)

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World of Warcraft é um mmorpg da Blizzard que apresenta um mundo (ou vários mundos) habitado pelas mais diversas raças. Apenas de raças jogáveis, atualmente conta com 13, sendo um dos que mais apresenta diversidade de personagens. Se formos contar todas as raças presentes no game, esse número dispara e deve ser um dos maiores entre todas as obras fantásticas existentes. Em um jogo que apresenta de elfos e humanos à pequenos goblins e pandas humanóides, a diversidade deve ser um padrão, né? Bem, em um ponto muito importante, a realidade é que não.

O game certamente foi o maior expoente dos MMOs em todos os tempos. Simplesmente foi o caso de sucesso que gerou o crescimento dos jogos online. Não foi o primeiro a ser lançado, mas certamente foi o primeiro a fazer sucesso. Em tempos onde os jogos online não eram uma moda, WoW conseguia reunir dezenas de milhões de personagens. Com o tempo perdeu espaço, é óbvio, mas ainda representa um marco. O game marcou a vida de muita gente, inclusive a minha. Fui jogador ativo durante mais de 10 anos.

Porém, infelizmente, parece que a Blizzard é medrosa. Em um mundo repleto de diversidade fantástica, seria óbvio que a diversidade sexual também fosse encontrada, não é? Porém a resposta é não. Tirando algumas piadas de mal gosto, como a que colocava os Elfos de Sangue como gay, conteúdo LGBT nunca esteve presente no jogo. Ao menos até a expansão Legion, que trouxe uma missão que apresenta personagens homossexuais tendo uma relação. Isso mesmo. UMA MISSÃO! E parece que isso é tudo o que a Blizzard conseguiu colocar no game até agora.

Enquanto casais heterossexuais sempre foram bem explorados no game, LGBTs foram no máximo motivo de piada em alguma missão secundária. Lembro de uma missão da expansão Cataclysm. Nela você acompanhava alguns personagens que contavam a história do seu encontro com o dragão negro Asa da Morte. A missão era recheada de piadinhas, com os personagens mentindo ou aumentando a história do seu encontro com o vilão. Ao final da missão, você pode escolher com quem um dos personagens vai embora para, provavelmente, transar. Entre as escolhas há um Elfo de Sangue, remetendo a velha piadinha homofóbica sobre os homens dessa raça. E isso era tudo.

Agora temos UMA única missãozinha que aborda o tema de maneira mais séria.

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Enquanto isso, outros jogos, como Elder Scrolls Online abordam o tema de maneira mais natural com seus jogadores. No game da Bethesda, além de você poder vestir a roupa que quiser, romances entre personagens LGBT aparecem de forma natural. Assim como em Guild Wars.

Tudo bem que World of Warcraft é um jogo antigo. Seu lançamento data de 2004. Porém seria de se esperar que, com o avançar do tempo e lançamento de expansões, isso fosse abordado no jogo. Só que não ocorreu. A Blizzard continua em cima do muro, apenas dando um “biscoitinho” em uma única missãozinha.

Prevejo comentários falando que o jogo se passa na época medieval e por isso é desse jeito. Primeiramente é importante afirmar que LGBTs existiram em todas as sociedades humanas. Na Idade Média ocidental tinham que se esconder para não irem de encontro às fogueiras da inquisição, mas eles estavam lá sim. E, mesmo se não existissem, naquela época também não existiam dragões ou deus titãs também.

A Blizzard pisa na bola com World of Warcraft. O que é estranho, já que em outro game da empresa, OverWatch, personagens LGBT vem aparecendo. Tudo me leva a crer que a culpa é da equipe criativa de WoW que parece não ter criatividade e nem contato com a realidade.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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