A reforma política (ou eleitoral) chega ao Facebook
Facebook deverá concentrar toda a renda destinada a campanhas para internet.

A reforma política (ou eleitoral) chega ao Facebook

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Depois de meses de debate, finalmente foi aprovada a reforma política que o congresso rebatia nos últimos tempos. É uma reforma que nem chega perto daquela que realmente é necessária para mudar as estruturas de poder no país e colocar uma representatividade real para governar o Brasil, podendo ser definida apenas como uma reforma eleitoral e nada mais. Entre as novidades que estarão presentes já nas próximas eleições, se destacam a ampliação do fundo eleitoral, uma cláusula de barreira que visa diminuir o número de partidos na câmara e o fim das coligações proporcionais.

Entre as mudanças, também se destacam alterações no modo de se fazer campanha na internet que, atualmente, é proibida. Políticos até poderiam manter sites, páginas e perfis nas redes, mas não era aceito o impulsionamento de publicações por meio de publicidade paga em serviços como o Facebook e o Twitter. A partir de agora isso está permitido e críticas precisam ser colocadas.

Em primeiro lugar, essa medida vai causar um desequilíbrio econômico na internet durante as eleições. Todos sabemos o poder que o Facebook tem em território brasileiro e a permissão para publicidades pagas nas redes sociais aumentará esse poderio, pois ele deverá ser muito mais requisitado para publicidades pagas do que sites e blogs. Será como se toda a verba para campanha televisiva fosse apenas para uma emissora, a Globo. Além disso, mesmo que a empresa tenha as melhoras das intenções (o que é sempre uma dúvida), seu poder político aumentará e será mesmo que queremos colocar tanto poder eleitoral nas mãos de uma única empresa?

Mas isso ainda há outros problemas, a permissão para impulsionar publicações sem que haja uma legislação que controle tal tipo de publicidade, poderá causar grande caos no meio político, pois não há uma restrição quanto a possibilidade de impulsionamento de notícias falsas por um candidato visando prejudicar a imagem de um candidato aliado. Nesses casos, ainda há a possibilidade de multa aplicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já são aplicadas quando há esse tipo de divulgação de fake news, porém muitas vezes o ganho de votos que se tem com a prática é superior à multa aplicada e, na internet, isso pode ser ainda pior. Também há a possibilidade de direito de resposta, mas como ela será colocada realmente em prática quando reconhecemos as bolhas criadas pelo algoritmo do Facebook. Mesmo com as configurações apropriadas, nenhum direito de resposta chegará as pessoas que tiveram acesso à fake news.

A legalização de campanhas via internet que ocorre sem que uma regulamentação seja colocada em prática, vai acabar por prejudicar bastante a política brasileira a partir das próximas eleições. Mesmo que se crie uma regulamentação, ela não deverá entrar em vigor a tempo de ser válida para 2018, já que o tempo limite para leis que regulem as eleições do próximo ano foi no dia 7 de outubro.

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Veremos um caos generalizado no ano que vem.

 


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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