O aprendizado dos Video-Games
The Witness

O aprendizado dos Video-Games

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Há alguns anos atrás não era raro ouvir opiniões negativas sobre vídeo-games. Grande parte delas sobre a influencia exercida sobre crianças e adolescentes, que estariam se tornando anti-sociais e reclusas por culpa dos jogos. Porém o estudo científico avançou e acabou por desmistificar certos paradigmas sobre os jogos.

Segundo estudos divulgados já em 2013 pela American Psychological Assossiacion (Associação de Psicologia dos Estados Unidos) os games tem benefícios de aprendizagem bastante importantes, que podem e precisam serem colocados em pauta. Logicamente não podemos falar de todos os jogos. Assim como em outras mídias, como cinema e desenhos, há problemáticas em jogos que devem ser levados em consideração. Há jogos que estimulam comportamentos violentos (assim como filmes) e que devem ter um controle sobre seu uso. As classificações indicativas já fazem isso. Assim como não deixamos uma criança assistir um filme indicado para maiores, o mesmo deve ser feito com jogos.

Segundos os estudos de 2013, o primeiro benefício atingia mais de 70% dos jovens investigados. Dentre esses foi possível visualizar que jogos estimulavam características colaborativas. Eles eram jogados em conjunto e estabeleciam que era necessário utilizar estratégias em equipe para passar dessa fase. Estudos posteriores demonstraram uma melhor facilidade para trabalhar em equipe para crianças que jogavam games colaborativos em relação às que não jogavam.

Além disso, é possível afirmar que alguns jogos estimulam capacidades cognitivas vinculadas à áreas de lógicas. As habilidades de imaginar elementos tridimensionais e estimular a percepção espacial levaram os jovens a apresentarem melhorias de aprendizado em áreas como matemática e física. Mesmo jogos considerados mais simples e lúdicos, como Angry Birds, apresentaram seu benefício. Uma grande melhora em humor e controle de ansiedade foi observada em jovens que praticavam esses games.

Saindo das pesquisas, é possível ver melhorias em outras áreas e com outros jogos. Não são raras as histórias de amigos e conhecidos que aprenderam a compreender palavras em inglês por meio de jogos. Também foi possível, em algumas experiências pessoais acompanhadas, perceber que um estimulo à leitura em jogos que apresentavam muitos textos, como alguns RPG’s. Exemplos disso são World of Warcraft e The Elder’s Scrolls. Ambos apresentam uma quantidade absurda de textos que necessitam serem lidos para a continuidade dos jogos.

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Em entrevista concedida em 2012 para o jornal britânico The Guardian, a escritora Lucy Prebble defendeu que os games estimulam a criatividade tanto, ou até mais, do que outros meios tradicionais, como a leitura e o teatro. Ela apontou, para isso, os games que exigem que o jogador controle a narrativa tomando decisões. Isso estimularia o cérebro a adotar outras personas. Assim como no teatro, o jogador é levado a pensar não como ele mesmo, mas como o personagem com o qual joga.

Além disso, universidade pelo mundo todo, como a PUC do Rio de Janeiro, vem apresentando projetos e estudos sobre a eficácia dos games para prevenir doenças como o Alzheimer em idosos. Jogos que estimulam capacidades cognifivas em conjunto com exercícios físicos vem apresentando resultados satisfatórios. Em entrevista para o jornal O Globo, o neurocientista Rogério Panizzuti apresentou seus resultados.

Em comparação, é possível afirmar a eficácia dos games como ferramentas de aprendizado. Algumas escolas e universidades já utilizam jogos em meio às suas disciplinas. Um dos exemplos utilizados é Heroes of Learning, idealizado por um professor da FATEC de Rio Preto. Ele é um jogo de RPG que pode ser customizado para o aprendizado de qualquer disciplina por meio de mini-games de perguntas e respostas que garantem o avanço na história.

Certamente há cuidados à serem tomados com os jogos. A garantia de alternância de atividades é uma delas. Passar todo o tempo disponível em games, pode não ser saudável, principalmente por privar jovens (e adultos) de outras atividades. A estrutura do vídeo é algo que deve ser colocado em debate também. Caso os games sejam colocados como formas de preencher lacunas emocionais e falta de relações humanas, eles podem se tornar um problema. Porém isso não é exclusividade dos games, podendo acontecer com outros elementos também. Mesmo os mais aceitos pela sociedade em geral, como o vício em leituras, também podem apresentar problemas, caso pensemos na importância de relações sociais e o quanto elas podem ser negligenciadas por livros (ou qualquer outro vício), por exemplo.

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Como a própria Lucy Prebble disse em sua entrevista para o The Guardian, ninguém se preocupa se a pessoa está ficando sedentária, anti-social ou obesa por estar lendo livros, pois livros são divinizados mesmo quando fazem mal. Hoje em dia é possível observar o mesmo ocorrendo com vícios em televisões. Mesmo com vários males vinculados à isso, por elas já terem se tornado um item cotidiano em 99% das residências, pouca atenção é dada.

Abaixo, algumas indicações pessoais de games:

  • The Witness – Utilização de lógica e percepção espacial
  • Portal e Portal 2 – Utilização de lógica e percepção espacial
  • Minecraft – Utilização de percepção espacial e imaginação, assim como habilidades de modelagem
  • Roblox – Utilização de percepção espacial e imaginação, assim como habilidades de modelagem e construção de histórias
  • Telltale’s Minecraft Story Mode – Interpretação de personagem e utilização de imaginação para tomada de decisões
  • Marvel’s Guardians of the Galaxy: The Telltale serie – Interpretação de personagem e utilização de imaginação para tomada de decisões
  • World of Warcraft – Leitura e interpretação de personagens (exige atenção por ser um jogo aberto em que as pessoas podem conversar entre si. Pode apresentar um ambiente tóxico).
  • The Elder Scrolls 5: Skyrim – Interpretação de personagem, tomada de decisões e muitas e muitas páginas de leitura.
  • Civilization – Pensamento estratégico, leitura e acompanhamento do processo histórico de desenvolvimento científico e social.
  • Qualquer outro jogo indicado para a idade da pessoa – Aprendizados provenientes do game, melhoria de humor e redução de níveis de ansiedade.
  • Além desses, há vários jogos específicos para o aprendizado que podem ser encontrados na internet. Para Smartphones Android, recomendo esse jogo de matemática. Ele apresenta diversos níveis e elementos do estudo matemático para jovens.
Há uma divisão com dois campos de futebol desenhado. Em ambos aparecem nomes de jogadores de futebol, assim como desenho de camisetas. Ambos demonstram táticas distintas para o jogo.
Football Manager

Um caso pessoal

Durante a minhas últimas crises de depressão, eu também acabei utilizando um game para melhorar alguns aspectos necessários para o meu trabalho. Geralmente durante as crises eu fico irritadiço, sem capacidade de prestar atenção e com nível de ansiedade alarmante. Todas essas coisas me impedem de exercer meus trabalhos (atualmente escrita para o blog, gravações de podcasts e programação de websites).

Acabei percebendo que, após algumas horas jogando, o game Football Manager era capaz de reduzir minha irritabilidade e ansiedade e aumentar meu foco de atenção. Football Manager é um jogo de gerenciamento de futebol, conhecido como Manager. Nele você não toma o controle de um jogador, mas de um administrador e treinador de um time. Suas responsabilidades no game vão desde elaborar táticas que sejam condizentes com as habilidades dos seus jogadores, administrar a parte financeira do time, garantindo que ele termina a temporada com dinheiro, fazer contratações, gerir negociações contratuais, entre outras coisas. São características de trabalho que, ao serem colocadas em um ambiente lúdico, acabam por me ajudar.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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