#MayThe4thBeWithYou – Star Wars contra o Fascismo

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Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante…

Grandes discussões podem ser feitas sobre o que é Star Wars? É uma fantasia? É ficção científica? Pessoalmente eu acredito que a série se enquadra em ambos os conceitos. Por mais que não carregue os elementos mais concretos de uma ficção científica, Star Wars sempre trouxe conceitos que fazem com que a série se enquadre como uma ficção científica. Mesmo que esses conceitos não sejam demonstrados em tela, é impossível negar o quanto a série trouxe elementos científicos para quem assiste, lê ou joga algumas de suas obras. A história criada por George Lucas jamais se colocou com a responsabilidade de explicar a ciência por trás de tudo o que vemos, porém é impossível consumir seus conteúdos e não sonhar sobre as possibilidades espaciais e tecnológicas colocadas. Porém o elemento de fantasia também está presente com bastante força na jornada do herói de Luke Skywalker e Rey ou na jornada de anti-herói de Anakin.

Tanto a ficção científica quanto a fantasia historicamente trazem um elemento em comum: a utilização da imaginação e da ficção para debater a realidade em que tal história foi criada. O Senhor dos Anéis, por exemplo, carrega uma estrutura política bastante forte. Assim como debates filosóficos importantes, como a passagem do velho para o novo e as desvantagens da imortalidade. Star Wars não poderia trazer algo diferente.

Muitos estudiosos sobre o tema inclusive defendem que o que faz uma história se tornar eterna não é sua estrutura narrativa em si, mas o quanto ela se relaciona com o ambiente de quem consome tal conteúdo.

Star Wars foi criado na década de 70. No auge da Guerra Fria, a obra tornou-se representativa para uma geração que havia nascido durante ou pouco tempo depois da Segunda Guerra Mundial. Essa geração, naquele momento, se aventurava por ideais diferentes e contestava a antiga ordem vigente. Eram os Hippies, os beatniks, a juventude transviada ou seja lá qual o nome você queira utilizar para a referência.

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A jornada de Luke Skywalker, logo apresenta como seu vilão o império galático. Naquele momento, o Império representava a ordem estabelecida. Em meio à diversas tensões e ditaduras ao redor do mundo, não é assustador que Star Wars tenha se tornado referência mundial. Os Estados Unidos enfrentava uma era de beligerância e de controle. A Caça às Bruxas havia sido um grande exemplo disso dentro da estrutura de cinema. Esse movimento do governo foi a caça aos atores, diretores, roteiristas e produtores taxados como comunistas ou subversivos. Com o início da Guerra Fria, os comunistas e libertários foram vistos como inimigos e caçados à exaustão por diversas frentes jurídicas e parlamentares. Caso queira ver mais sobre esse período, aconselho que assista aos filmes Trumbo (2015) e Chaplin (1992).

Não tinha como o cinema não reagir à essa intervenção do congresso dos Estados Unidos contra algumas de suas estrelas. Por mais que muitos tenham optado pela segurança do silêncio pessoal, as obras  a partir dali tomaram um lado de contestação. O Poderoso Chefão, Laranja Mecânica e Taxi Driver foram exemplos da época. Assim como Star Wars. Colocar um império fascista como inimigo era a escolha certeira para debater o que acontecia no mundo real. A Fantasia Espacial ainda trazia um sujeito comum que ansiava por aventuras e por enfrentar esse grande inimigo.

A trilogia clássica acabou por não se aprofundar tanto na política do império. Porém indiretamente fazia uma relação direta contra o nazismo. O modelo de organização e formação do exército imperial tinha diversas similaridades com o modelo de Hitler. Mas além da pancada fácil, também era explorado alguns elementos da perseguição aos pensamentos contrários em algumas partes do filme. Temas como tortura e penas também foram debatidos, porém de forma pouco aprofundada. Porém isso viria a mudar nos anos seguintes.

Não há como negar o quanto a trilogia de 2000 foi um fracasso. George Lucas se perdeu como diretor e trouxe conceitos criticáveis. Porém alguns pontos foram interessantes naquelas três obras. Fomos apresentados à vida política da galáxia muito distante. Os filmes se passaram antes das obras clássicas e apresentou algo muito comum nos anos 70 e 80, mas que só foi discutido a partir dos anos 2000. A democracia galática era frágil. Diversas tramas a atacavam o tempo todo. Em momentos como esse, temos apenas duas possibilidades: fortalecer essa democracia, como Amídala se esforçava para fazer, ou abraçarmos o autoritarismo. Infelizmente Anakin escolheu o lado negro da força.

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Por mais que os filmes de 2000 sejam fracos, é interessante compreendê-los como parte do todo. Eles são essenciais para as discussões de Star Wars. Representaram nos anos 2000 a busca pela memória do autoritarismo presente nas décadas anteriores. Novamente, reforçaram a marca como um fenômeno mundial, principalmente aos países latinos que começavam a rever suas cicatrizes ditatoriais. Chile, Argentina, Peru e outros estavam em plena busca por justiça e tentando compreender os motivos que os levaram à uma ditadura. Mesmo o Brasil tentava encarar seus demônios dos anos de ferro, porém falhamos e até hoje não conseguimos vencer a luta por memória, verdade e justiça.

Não há dúvidas de que Star Wars é um produto de consumo. Um grande produto de consumo. Mas isso não pode nos impedir de ver a importância política das obras. A nova trilogia enfatiza bastante isso. Atualmente passamos por um período de lutas fomentadas por questões raciais e de gênero, assim como convivemos com velhos fantasmas do passado que voltam a nos assombrar uma vez mais. Além de colocar o protagonismo em uma mulher e em um homem negro, Star Wars também volta a discutir sobre o fascismo. Desse vez a democracia é o sistema vigente na galáxia, mas forças autoritárias se organizam para tomar esse poder e implantar modelos fascistas de governar.

A Nova Ordem, na verdade, nada tem de muito nova. É a releitura de modelos passados. É impossível não relacioná-las com a onda antidemocrática e cheia de preconceitos que permeiam os continentes Europeus e Americanos. Porém o filme deixa claro quem são seus vilões e nos fazem odiá-los, enquanto que na vida real costumamos chamá-los de Mitos.

Mas ainda tenho fé de que a força estará conosco.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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