Lei do pastor Marco Feliciano pode atingir a indústria cultural?
Pastor Marco Feliciano pode afetar a cultura POP com sua nova lei

Lei do pastor Marco Feliciano pode atingir a indústria cultural?

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Tramita na câmara dos deputados um projeto de lei que atende pelo número 8615/2017, protocolado pelo pastor e deputado Marco Feliciano, que visa proibir a “profanação de símbolos religiosos” em produções culturais como programas de Televisão, filmes de cinema e DVD, jogos de RPG e exibições públicas profanem símbolos religiosos. Em tempos de retrocessos, parece que, cada vez mais, estamos voltando para a idade média. O projeto completo pode ser acessado clicando aqui.

Sim, eu sei. A idade média é muito divertida. Tem seus reis, cavaleiros, sacerdotes, dragões zumbis cuspidores de fogos azuis e paladinos que podem tankar ou healar os nossos ladinos preferidos. Mas não se engane. A idade média é divertida apenas na arte. Na realidade, a idade média europeia, o que não se aplica à Ásia, África e América, no mesmo período, foi um dos momentos mais tensos da nossa história, onde a igreja perseguia, torturava e matava aqueles que ousassem criticar a religião, cultuar outros deuses que não o católico ou dissessem que a Terra era redonda (tudo bem que ela, na verdade, é disformemente oval e que alguns ainda querem acreditar que ela é plana, mas era isso), entre tantas outras coisas.

Muitos sites e pessoas vem alardeando que isso barraria a grande industria cultural pop que, com seus filmes, jogos e livros, exibe símbolos religiosos sempre. Nem sempre isso ocorre como uma forma de profanação, mas isso não é um elemento importante aqui já que o significado de profanar pode ser interpretado de diversas maneiras. Algumas vertentes evangélicas, por exemplo, acusam católicos de profanação simplesmente por utilizarem os símbolos. Mas, mesmo se esse projeto de lei for aprovado, duvido muito que grandes empresas como Universal, Blizzard, EA ou Ubisoft (e até pequenas, como a Konami – zueeeera!!!) se importem com isso quando dispõe de seu grande poderio econômico e ampla redes de contatos fazendo Lobby por aqui.

Porém esse projeto de lei é preocupante para pequenos produtores de conteúdo. Companhias teatrais, pequenas editoras, até mesmo youtubers, fanfiqueiros e estúdios de games Indies poderiam sofrer, e muito, com uma lei dessas. Eles seriam afetados drasticamente por não terem o poder que as grandes empresas tem. Isso atrasaria e muito o avanço da criação de conteúdo fantástico no nosso país. Imagine só o que seria a vida de Eduardo Spohr, autor do livro A Batalha do Apocalipse, obra onde afirma que Deus está morto e sua presença vive dentro de todos nós na forma das nossas almas? (Texto em branco por conter SPOILER do final do livro).

Além desse atraso, tal projeto significa um retrocesso social enorme e pairam duvidas sobre ele. Será que as exibições televisivas de uma certa televisão comandada pela Igreja Universal onde símbolos e nomes do Candomblé e da Umbanda são profanados diariamente sofreria alguma coisa com essa lei? Ou ela só serve pra “defender” a religião que tem mais deputados eleitos?

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Ficam as dúvidas e fica um desejo muito grande de que The Handmaid’s Tale permaneça sendo apenas uma obra televisiva, por favor!

 


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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