Kevin Spacey é denunciado por vários assédios sexuais e vê sua carreira em queda livre
Kevin Spacey está envolvido em diversas denúncias de assédio sexual

Kevin Spacey é denunciado por vários assédios sexuais e vê sua carreira em queda livre

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A vida de Kevin Spacey nos últimos anos foi uma montanha russa. O ator foi astro de diversas obras nos anos 80 e 90, mas viu sua imagem desaparecer dos holofotes nos anos 2000. Até uma tentativa de viver Lex Luthor foi falha. A interpretação do vilão em Superman: O Retorno acabou obscurecida pelo insucesso do filme. Nos últimos anos, Kevin retornou aos holofotes interpretando o político Frank Underwood em uma das primeiras séries originais do Netflix, House of Cards. O ator voltou aos holofotes e às premiações, participando de filmes como Baby Driver neste ano.

No início da semana o ator Anthony Rapp, que também pode ser visto na Netflix por meio da série Star Trek Discovery, denunciou algo que ocorreu à 30 anos. O ator, na época com 14 anos, teria sido assediado por Kevin Spacey em uma festa. Spacey teria o levado até um quarto e tentado forçar sexo com o jovem. O fato acabou sendo confirmado pelo astro de House of Cards em uma carta de pedido de desculpas postada no Twitter. Foi a carta de desculpas mais merda de todas, pois, nela, Kevin aproveitou para anunciar publicamente que era homossexual. Teria sido uma postura importante de um grande ator, porém a tentativa de desviar o foco de atenção foi uma tremenda merda feita pelo ator. Além disso, ele ainda deu munição para babacas que tentam associar a sexualidade de alguém com a pedofilia. Foi uma bosta.

Não. A pedofilia e a sexualidade de alguém não tem um elo de ligação. E Kevin Spacey foi bem estúpido em seu pedido de desculpas. Como disse uma usuária do Twitter, Kevin inventou algo que não deveria existir: um péssimo momento para revelar sua sexualidade. Nenhum momento deveria ser ruim para isso e as pessoas deveriam se sentir livres para se declararem homossexuais, bissexuais, etc… Mas Kevin acabou inventando tal absurdo.

Após esse pedido de desculpas, outras quatro denúncias por assédio foram feitas contra o ator. Todas elas mais atuais. No início ainda havia a questão do caso ter acontecido há 30 anos, porém as denuncias mais atuais colocaram essa questão pra baixo. Kevin Spacey então fez um anúncio por meio de sua assessoria de imprensa: Ele buscaria tratamento.

Tratamento para o que afinal? Nada foi dito. Apenas essa palavra que parece que salvou a carreira de diversos astros nas décadas passadas, mas que não cola mais.

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A produção de House of Cards, série na qual o ator é protagonista, foi suspensa por tempo indeterminado. Logo a Netflix fez o anúncio de que a sexta temporada seria a última da série. Não duvido que essa decisão já havia sido tomada antes, afinal House of Cards já vem tendo uma história desgastada e está na hora de terminar mesmo. Assim como Breaking Bad, terminar no sexta ano seria a chance de finalizar a história em alta. Porém também foi um péssimo momento para fazer o anúncio, pois levou algumas “pessoas” a atacarem denunciantes sob a desculpa de que estariam “matando” sua série preferida. Acho que é impossível um comportamento mais mesquinho do que o dessas pessoas, mas poderia ser evitado.

Por fim, um golpe mais profundo viria a aparecer. Nada menos do que 8 pessoas da produção de House of Cards acusaram Kevin Spacey de assédio. Isso continuava ocorrendo dentro da produção da Netflix. Logo vieram histórias do passado de Kevin em sua antiga companhia de teatro à tona também. E foi percebido que esse é um comportamento recorrente do ator.

Kevin Spacey foi demitido da Netflix nesse sábado. Provavelmente seu personagem será morto em House of Cards e um filme que estava sendo produzido pelo ator foi cancelado.

O caso acaba gerando muitos questionamentos, porém a primeira coisa a ser feita é reler o ótimo texto da atriz Brit Marling, em que ela fala dos casos de assédio em Hollywood. Mais do que se prender as acusações sobre Kevin Spacey, é necessário lembrar que:

O perigo real dentro do momento atual, então, seria o de que todos nós separássemos as alegações feitas sobre Cosby, Ailes, O’Reilly ou Weinstein de uma cultura que continua a permitir desequilíbrios gigantescos de poder. Não são esses homens maus ou aquela indústria suja. É esse sistema econômico desumano do qual todos fazemos parte. Como produtora e consumidora. Como contadora de história e ouvinte. Como ser humano. Essa é uma verdade realmente desconfortável.

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Esse caso aborda casos de assédio sexual contra homens, mas a maior parte dos assédios ocorre contra mulheres. O assédio sexual, o estupro e outras formas de violência sexual não são gerados por uma necessidade de prazer e desejo sexual. Seria simplista fazermos essa ligação. Eles estão ligados à questão de poder. E é o que todos esses casos tem em comum. É o que a ampla maioria dos casos gerados pela cultura de estupro tem em comum.

Outro questionamento importante é sobre a Netflix. Seria possível esse comportamento recorrente do ator sem que os chefões da empresa soubessem o que acontecia? Várias denuncias foram de fatos que ocorreram em ambiente aberto, durante filmagens por exemplo. Porque a empresa não fez nada antes? Creio que enquanto os fatos não atingirem seus lucros, elas (Netflix e outras) permanecerão de olhos fechados.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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