França alertará população sobre fotos photoshopadas em suas publicações
Lei francesa visa combater fotografias retocadas

França alertará população sobre fotos photoshopadas em suas publicações

Há algum tempo atrás ouvi a notícia de que uns pesquisadores foram até uma sociedade que vivia isolada de qualquer anúncio midiático e que, por isso, tinha padrões de beleza diferentes daqueles vigentes na sociedade atual. Eles pediram para que alguns homens criassem avatares femininos de um modo que eles achassem bonitos em um software e logo depois mostraram para eles por 15 fotos clássicas de publicidade que demonstravam a magreza excessiva como um padrão de beleza. Após isso, os homens foram convidados novamente a criarem os avatares no mesmo software. O resultado foi que, após a curta exposição, os novos avatares femininos que eles consideravam bonitos foram emagrecidos. Essa pesquisa, junto com outras muitas feitas pelo mundo, demonstra que a exposição midiática de um padrão de beleza nada saudável acaba influenciando e muito na sociedade em geral. Se com apenas 15 minutos de exposiçao os seus avatares de beleza foram alterados para parecerem mais magros, qual será o efeito disso na mente humana que é exposta à certos padrões durante toda a vida?

Pensando nisso, o governo francês tentou criou uma lei que visa restringir as mudanças não naturais ao corpo humano exposto em revistas, as famosas “photoshopagens”, que, além de emagrecerem AS modelos (com ênfase no “AS”, pois as mulheres são as mais afetadas por isso), também acaba removendo traços que compreendemos como imperfeições, mas que são naturais ao corpo humano, como celulites.

A ideia da lei francesa é criar avisos que notifiquem o receptor do conteúdo de que uma imagem foi alterada digitalmente, exibindo um alerta parecido com aqueles colocados em maços de cigarro aqui no Brasil. Toda imagem virá com a marcação “Photographie retouchée”, que em português significa, em tradução direta, “Fotografia Retocada”. Quem não cumprir a norma deverá ser multado em cerca de 37 mil euros ou em 30% do valor da produção comercial.

A ministra da saúde Marisol Touraine afirmou que: “Expor jovens a imagens normativas e irrealistas leva a uma sensação de autodepreciação e de baixa autoestima que pode afetar comportamentos relacionados à saúde”.

Em uma sociedade em que diversos casos envolvendo distúrbios alimentares acontece diariamente, a França tenta com todas as forças combater padrões de beleza não saudáveis e essa não é a única lei com esse intuito. Desde maio modelos são obrigados a apresentar atestados médicos que comprovem a sua saúde física e mental para podem continuar exercendo a profissão e algumas agências proibiram modelos super-magros.

O site Getty, um banco de imagem sediado na França, já proibiu a publicação de imagens humanas photoshopadas e pune os usuários que as publicam.

Ainda é cedo para podermos falar em uma cultura de mudança dos padrões de beleza que nas últimas décadas representou um risco à saúde de milhares de pessoas, que além de distúrbios alimentares, também apresentaram problemas físicos decorrentes da falta de ingestão de alimentos.

Fora a questão de saúde, o debate sobre os preconceitos gerados pelo padrão de beleza também necessita ser feito, pois pessoas que se distanciam desse padrão imposto apresentam alto índice de solidão na sociedade contemporânea, o que acaba por ocasionar também risco de depressão.

Será que normas e leis parecidas deverão aparecer no Brasil em breve?

Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.
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