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Final da Quinta temporada de Vikins se afasta da historicidade e dialoga com o fascismo da atualidade

Final da Quinta temporada de Vikins se afasta da historicidade e dialoga com o fascismo da atualidade

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A segunda metade da quinta temporada de Vikings foi finalizada na última semana. Essa temporada terminou de construir a série após a morte de seu protagonista Ragnar na quarta temporada. O produto final apresentado foi um pouco a baixo da média do que era aguardado de Vikings, mas, ao mesmo tempo, apresentou mudanças importantes para a série.

A primeira grande mudança foi que a série deixou de vez a fidelidade histórica de lado.

Dentre os quatro filhos de Ragnar Lothbrook, Ivar, historicamente, foi o mais famoso, tendo estabelecido um reino dentro do que conhecemos hoje como Inglaterra. Porém na série, essa posição parece ter sido deixada para Ubbe, o segundo filho mais velho do personagem de Travis Fimmel.

Mas Ivar não deixou sua importância de lado, sendo utilizado como um meio para dialogar com os dias atuais. O personagem foi alçado ao posto de rei de Kattegat, a principal cidade nórdica dentro da série. O personagem apresentou uma fasceta que lembra muito o crescimento do fascismo religioso que atualmente ocorre ao redor do mundo.

Ivar se declara como um deus, se colocando ao lado das outras figuras do panteão nórdico e inicia um regime centrado em forçar, por meio do ódio, o amor de seu povo. O discurso dúbio do personagem durante essa temporada casou bastante com o discurso de líderes da França, Itália, Ucrânia, Estados Unidos e até mesmo do Brasil, que evocam um nacionalismo religioso para criar em si mesmo uma figura messiânica, ao mesmo tempo em que estimulam o ódio e a violência contra quem se coloca em seu caminho. Ivar até mesmo evoca a dubiedade e hipocrisia desses lideres, ao rejeitar seu filho e entregá-lo a morte justamente por, assim como ele, nascer com uma deficiência em uma das cenas mais dolorosas dessa temporada.

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Para confrontá-lo temos parte da família se unindo novamente. Bjorn esquece a história real sobre o viking que desbravou o oriente e se junta a seu irmão mais novo Hvitserk, o rei Harald e o rei Olaf para enfrentar a tirânia de Ivar.

É interessante constatar a completa derrota que o time sofre frente a gigantes inteligência militar de Ivar. Porém Ivar já havia se desgastado com seu povo e com sua esposa, responsável por entregar o segredo para derrotá-lo, após perceber que seu marido havia matado seu filho.

Em meio a isso Hvitserk parece ser o responsável por desbravar novas culturas. Depois da série nos apresentar o Cristianismo e o Islamismo, agora os nórdicos entram em contato com o Budismo e o personagem é responsável por capturar parte da essência de Ragnar que buscava uma compreensão sobre a vida por meio do conhecimento de diferentes culturas.

Na Inglaterra, além da colônia Viking, pouca coisa aconteceu nesse quinto ano. E apenas vimos peças dolorosas serem mexidas no tabuleiro que tornará Alfred o unificador de todos os reinos.

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Já na Islândia, os planos de Floki vão por água a baixo e as cenas na ilha gelada apenas apresentam carnificina e crises existenciais sobre a busca da paz.

Cabe ressaltar que a busca de Floki é a que mais se aproxima da mudança cultural que tornou as regiões nórdicas em umas das regiões mais pacíficas do planeta atualmente.

Como produção, a série foi bastante confusa e, neste ano, foi difícil conseguir juntar os pedaços. Além disso, o abandono da historicidade também fez com que a distinção entre a ficção e a realidade se tornasse muito mais aparente, diferenciando essa temporada das anteriores e a aproximando mais de uma produção clássica dos documentários falsos do History Channel.

Obs: Laguerta foi muito subaproveitada nessa segunda metade da temporada. Rollo então, nem se fala.

Obs 2: Esperava ver mais do Bispo Heahmund. Descanse em paz.

Obs 3: A série fez uma limpa de personagens inúteis. Espero que isso signifique um melhor desenvolvimento e mais coesão na próxima temporada.

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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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