Em seus dois primeiros episódios, Star Trek: Discovery chega cheio de desafios e com a história de uma guerra para contar.
A nova nave, USS Discovery

Em seus dois primeiros episódios, Star Trek: Discovery chega cheio de desafios e com a história de uma guerra para contar.

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Vida longa e próspera, caro leitor.

A Netflix lançou nessa semana a nova série de Star Trek, intitulada Discovery. A história da série se passa 10 anos antes das aventuras originais de capitão Kirk e Spock, fugindo da linha do tempo apresentada pela trilogia de cinema que teve início em 2009 sob as mãos de J. J. Abrams.

O que temos a falar sobre a nova série? Como esperado, é Star Trek raiz para a nova geração.

Os episódios, que irão ao ar nas segundas-feiras no serviço de streaming vermelhinho traz Senequa Martin-Green como a personagem principal Michael Burnham, a primeira humana a frequentar a academia de ensino vulcana, sob a tutela de Sarek (James Frain), o pai do Spock.

Os dois primeiros episódios apresentam um conflito entre as forças da federação e uma das famílias Klingon, um império que encontra-se dividido e busca a reunificação, baseando-se numa crítica de que a Federação é uma organização expansionista que está chegando cada vez mais próxima das fronteiras do antigo império.

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U.S.S. Shenzhou é apresentada nos dois primeiros episódios

Isso se mostra, de certa maneira, correto ao percebermos que a U.S.S. Shenzou, a nave mostrada nos dois primeiros episódios, acaba de se deparar com um artefato klingon de milhares de anos e isso dá início à toda a treta que seria mostrada na série clássica e terminaria apenas pouco antes do início da série Star Trek: The Next Generation: A guerra entre Federação e império Klingon.

Foi um início bastante acertado por parte dos produtores da série, em especial Brian Fuller (o homem por trás de Deuses Americanos e Hannibal, duas séries maravilhosas). Ao colocar a federação ocupando um espaço que, mesmo sem saber, pertencia a outra cultura, a nova série acaba por desconstruir o maniqueísmo com que a Federação foi mostrada até hoje nas séries de televisão e nos filmes. Império Klingon e Federação aparecem como dois lados de um conflito onde ambas são humanizadas (mesmo uma delas não tendo humanos) e tem alguns dos seus problemas sociais escancarados.

Algo interessante de se ver foi a relação dos guerreiros Klingons com o membro branquelo de sua frota que, assim como os negros nas sociedades ocidentais, teve a sua cota de dificuldades e opressões, tendo que executar um trabalho muito mais árduo do que os outros para alcançar resultados similares.

Capitã Georgious e Michael Burnhan fazendo suas primeiras aparições.

A série que tem em seu currículo o primeiro beijo inter-racial da televisão dos Estados Unidos, continua fazendo o seu trabalho de questionar aspectos sociais de hoje em dia e, de certa maneira, perde em originalidade por isso. A proposta de Star Trek, assim como de toda a ficção científica, sempre foi o de extrapolar nas telas os problemas sociais vigentes na humanidade e, ao que parece, vai acabar apresentando alguns conceitos e conflitos bem parecidos com os apresentados na década de 60, já que nossos problemas continuam muito parecidos.

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Porém isso é retratado de maneira bem diferente na nova série, que, graças a conquistas sociais gerais, tem muito mais liberdade para cutucar feridas nas telas. Seria impossível que na década de 60 (ou mesmo na de 80, com The Next Generation) uma mulher negra chamada Michael tivesse o protagonismo.

Os dois primeiros episódios são bastante introdutório e podem ser acompanhados como uma história fechada em que se foca muito na protagonista e no kelpien Saru, já que (SPOILER ALLERT!!!) todos os outros personagens morrem durante o confronto entre Federação e Klingons.

Outro personagem que fez breve aparição, mas retornará nos próximos episódios será Kol, o principal líder Klingon, que deverá tomar a frente da guerra iniciada pela capitã Georgiou e o T’kvuma, o principal opositor Klingon nesses primeiros episódios.

Star Trek: Discovery traz Star Trek para as novas gerações, mas os dois primeiros episódios ainda não mostraram a que vieram, funcionando inicialmente como um filme fechado da franquia. A partir do terceiro episódio iremos acompanhar os acontecimentos nesses anos posteriores.

Tenho que dizer que, por mais que alguns trekkers tenham feito alarde nas internetes da vida, eu não me senti desconfortável com o novo visual Klingon. Os personagens já foram tão modificados anteriormente, como sua aparência e cultura apresentadas na série clássica e em The Next Generation, onde passaram, em todos os aspectos, de guerreiros orientais mongóis para guerreiros de tribos africanas, que eu não senti que essa mudança foi tão drástica.

Star Trek: Discovery mostra um novo visual para os Klingons

Visualmente a série é maravilhosa, com personagens, naves e ferramentas exalando perfeição, porém algo que eu senti falta foi a pegada mais sci-fi que sempre foram demonstradas na série de televisão. Porém, sabendo que a série quer pegar uma nova geração e, principalmente, uma fatia do mercado em que essa pegada pode ser muito complicada, fica registrado o meu receio de que o sci-fi será abordado de maneira muito superficial no resto da série.

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Um fato importante é que a série, que também é co-criada por Alex Kurtzman, carrega um fardo histórico de manter uma linha do tempo coesa entre todas as suas produções (Com exceção da retratação dos Klingons), sendo que até mesmo os novos filmes produzidos para o cinema mantiveram a linha do tempo original e criaram uma nova para abarcar as aventuras de Kirk de Chris Pine sem alterar as de William Shatner. Logo no começo somos apresentados a alguém ao qual o pai de Spock, talvez o personagem mais reconhecido da franquia (em grandes partes graças ao carisma de Leonard Nimoy), estima como se fosse uma filha. Então qual será o destino da irmã de criação do primeiro Vulcano a integrar uma nave da federação, sendo que nunca antes ela apareceu nas séries ou filmes da franquia?

Esse é sempre o grande risco ao se fazer uma prequela em um espaço de tempo tão próximo à uma obra original aclamada, mas nos resta assistir a série e descobrir o destino de Michael e como os eventos da série criarão a base para o futuro que viria a se tornar Star Trek de 1966. Além disso a série carrega também o fardo de ser a primeira série de televisão da franquia com episódios não procedurais, sendo uma história sequencial sobre o início da guerra.

Nos resta aguardar e acompanhar, cheios de esperanças, que a série consiga trazer novamente o sentimento trekker para a nossa televisão (ou notebook, ou celular, hehe).

PS: Outro ponto importante: A Netflix traz, pela primeira vez, legendas em klingon para uma de suas séries. Ótimo pra treinar o vocabulário!


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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