Dragon Ball é o Transformers dos animes

Dragon Ball é o Transformers dos animes

Antes de tudo, sim! Eu assisti à todos os filmes do Transformers. À todos os Michael Bay boom! boom! Inclusive escrevi uma crítica para o Último Cavaleiro. A crítica que o filme mereceu ter.

Sempre fui um fã de animes. Um dia prometo escrever sobre os meus favoritos (Code Geass, FullMetal Alchemist e Death Note). O mundo dos animes apresenta conteúdos diversos que geram debates diversos. Os três que citei como favoritos, fazem esses debates com maestria. Mas gostaria de falar um pouco sobre Dragon Ball hoje.

A imagem mostra Goku ainda criança com uma roupa roxa. Ao fundo há algumas montanhas e há o Logo de Dragon Ball.
Tudo começou em…

Dragon Ball é uma série bem antiga. Lembro da época em que a primeira série foi lançada aqui no Brasil, sendo exibida pelo SBT. Todos os sábados de manhã eu ia correndo assistir. Não que isso signifique alguma coisa. Eu devia ter entre 6 e 7 anos, não entendia nada e confesso: eu era um daqueles que confundia Dragon Ball e Fly, achando que ambos eram a mesma coisa. Para minha jovem cabeça Goku e o pequeno guerreiro Fly eram o mesmo personagem. Você pode questionar sobre a continuidade e como eu não percebi antes que eram duas obras diferentes. Minha resposta será a de sempre: A série passava no SBT. A continuidade nunca foi muito o forte da emissora de Silvio Santos. Além disso, eu, quando criança, pouco me importava com histórias, apenas com lutas e com traços (já que adorava escrever). Dragon Ball e Fly (uma adaptação de Dragon Quests) tinham traços identicos, já que ambos eram criação do mesmo homem: Akira Toriyama.

Cresci um pouco e logo a band anunciou o início da exibição da continuação de Dragon Ball. Chega ao ar Dragon Ball Z. Apenas anos depois eu descobri que a série original jamais havia sido exibida por completo no SBT, então haviam várias lacunas. O personagem Picollo era a principal delas. Nessa época eu já me interessava por histórias, então essa confusão me levou a um mercado superaquecido no Brasil: As revistas de animes. Foi lá que finalmente eu fui conhecer a história do Dragon Ball original e estabeleceu a série Z com uma continuidade. Pensando bem, eu acho que foi nessa época que eu comecei a gostar de continuidade. Talvez, por isso, eu acabei abandonando o SBT e tudo o que passava lá.

Dragon Ball Z realmente causou um estardalhaço e mudou paradigmas. Fez com que, naquela época, “desenhos” deixassem de ser coisa de criança e cativassem o público adolescente. Eu estava na passagem entre infância e adolescência. Creio que a série de Goku foi o elemento mais marcante dessa passagem. Todos os dias eu parava tudo o que estava fazendo para acompanhar a história na televisão. Não que eu precisasse, já que as revistas já tinham me apresentado um panorama completo de toda a história, mas acompanhar tudo na tela era empolgante.

Assisti até a saga Cell na bandeirante, porém, quando a saga Boo foi ao ar (já na Globo), eu já não me interessava tanto pela série. Outros conteúdos tinham ganhado meus olhos. Era a época de assistir Star Trek, ler toda a obra de O Senhor dos Anéis e iniciar minha “doutrinação comunista” com as obras de Marx e Mao Tse Tung, além de muitas outras coisas. Dragon Ball era apenas uma lembrança do passado.

A imagem mostra todos os heróis e vilões principais de Dragon Ball Z.
Dragon Ball Z e Dragon Ball Kai apresentam um universo repleto de personagens.

Mas eis que anunciam uma remasterização da série. Uma versão que cortaria todas as coisas inúteis e traduziria 300 e tantos episódios em apenas 100. Chegava Dragon Ball Kai. No começo eu resisti. Não via mais graça naquilo. Mas alguns meses depois, lá estava eu assistindo e me emocionando. Análise crítica, teorias, etc? Nada disso. Qualquer tipo de pensamento ficava fora da minha cabeça durante aqueles 20 episódios e eu só queria ver como Goku e seus amigos superariam seus adversários e ganhariam mais poder. E era apenas isso. Dragon Ball nunca teve um esquema de utilização de inteligência ou estratégia (algo presente até mesmo em Naruto, mas muito forte em Code Geass). Para não mentir, estratégias até apareciam de vez em quando, mas sempre davam errado e a saída sempre era ficar mais poderoso e encher o inimigo de pancada.

Assisti Dragon Ball Kai inteiro e novamente meu ânimo por Dragon Ball retrocedeu. Então veio Dragon Ball Super. Antes dele, assisti ao filmes A Batalha dos Deuses, que me fez rir bastante e desligar o cérebro novamente. Achei interessante, mas inicialmente deixei o novo anime de lado. Passou quase um ano, até eu pegar pra assistir, maratonando os episódios iniciais. Dessa vez, evitei spoilers e realmente foi tudo uma surpresa para mim. Não uma surpresa “surpreendente”, é óbvio. Dragon Ball é uma série recheada de Deus Ex Machinas (resoluções do nada) e Dragon Ball Super levou isso ao extremo. Fiquei até entusiasmado, pois, dessa vez, Goku não resolve seus problemas na porrada todas, já que nem sempre é o personagem mais poderoso da saga. Dessa vez ele pede ajuda pra alguém mais poderoso ou conta com a sorte (ou com o poder de cativar o coração de seus adversários).

Dragon Ball é algo surpreendente desde sempre. Não é uma surpresa inteligente, mas uma surpresa de adrenalina. Ele não é e nem visa ser um anime super cerebral, que vai tratar de questões sérias. Até há espaço para isso e, com muito esforço, é possível fazer alguns debates. Um dos exemplos são as motivações de Goku e o debate sobre se ele pode ser considerado um herói ou apenas alguém doido pra lutar que, por consequência, acaba salvando umas pessoas de vez em quando. Mas esse não é o objetivo e essas possibilidades de debates acabam negligenciadas.

A imagem mostra Goku adulto. Ele está com uma roupa azul e sua aura também está azul. São olhos estão prateados. É o modo Instinto Supremo.
O Instinto Supremo foi o último Deus Ex Machina apresentado.

No fundo, Dragon Ball pode ser considerado o Transformers dos animes. Não por menos, Michael Bay é sempre o diretor mais cotado para levar novamente Dragon Ball aos cinemas (para deixarmos para trás Evolution de uma vez por todas). Dragon Ball, assim como Transformers, é uma obra recheada de explosões, de superações clichês, Deus Ex Machinas e debates vazis. Tudo isso feito com primazia. E isso é algo ruim? Talvez. Se ficarmos presos à obras assim, pode ser algo bem ruim. Há muitos outros animes que precisam e devem ser assistidos. Mas um Dragon Ballzinho de vez em quando, não mata ninguém.

Obs.: Em tempos, senti falta de algum soco de Dragon Ball no vídeo do Choque de Cultura!

E Dragon Ball GT não existe.

Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.
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