Diário de bordo: Voltando a escrever por aqui e explicando o sumiço sem explicar

Diário de bordo: Voltando a escrever por aqui e explicando o sumiço sem explicar

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Acordo logo pela manhã. Olho pro meu despertador. Tento debater com ele sobre a minha necessidade de não acordar naquele momento. Mas lembro que fizemos um acordo. Não posso ficar acordando às 14h. Preciso levantar, no máximo, até às 9h. Ou corro o risco de perder o dia inteiro.

Levanto. Preciso trabalhar, mas não consigo. Sento em frente ao computador. Abro linhas de código e nada sai. Abro os editores e nada sai. Tem um podcast gravado e ele precisa de edição, mas nada sai. Tem críticas e textos para escrever, mas nada sai. Tem busca por trabalhos que precisam ser feitas, mas nada sai. Preciso escrever um projeto de custos financeiros para economia solidária, mas nada sai. Simplesmente parece que nada sai.

Quero voltar para a minha cama, mas me obrigo a ficar em pé. Tento encontrar algum motivo. Começo a jogar um game, Elder Scrolls online. Jogo durante duas horas e parece que aquilo me levanta. Sinto vontade de sair do jogo e escrever sobre o que eu estou sentindo.

As pessoas ao redor me incomodam. O barulho ao redor me incomoda. Fico preso em muros. Sempre fazendo piadinhas pra esconder tudo o que to sentindo. Precisando de um suporte.

Na semana passada assisti Vingadores: Guerra Infinita. Era uma pré estreia.

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Meu telefone toca e me recuso a atender. Por que ele sempre toca quando eu consigo ter  forças para fazer alguma coisa?

Ontem estava escrevendo uma análise sobre Vingadores 3. Filme fenomenal. Parei no meio, quando algo me puxou pra longe do teclado. Não consegui retomar. Tento jogar, ver filmes, fazer coisas divertidas. Por alguns momentos consigo me organizar. Faço alguns pequenos trabalhos, preparo as coisas, mas parece que algo sempre me interrompe. Estou cansado de ser interrompido.

Eu achei que até esse momento já estaria acostumado. Porém é impossível me acostumar. Maldita TAB. Doença que me segue, que até dá nome à esse site. Quero falar das coisas que eu gosto, criticá-las, analisá-las, mas sempre algo me interrompe, sempre algo me para.

Parece que as pessoas sabem que eu estou finalmente conseguindo me organizar, finalmente estou conseguindo produzir. Mesmo que seja uma produção confusa. Parece que elas sabem e decidem então interferir. Queria ter meu antigo eu de volta, mas acho que tenho que me acostumar com esse novo eu. Preciso aprender a lidar, mesmo que tudo me puxe pra baixo ou pra fora. Preciso reaprender a me fechar em mim e externalizar nas coisas que eu gosto de fazer. Criar arte, escrever, programar. Tudo é uma forma de me expressar. Mesmo quando é vomitado é uma expressão de mim.

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Vou voltando aos poucos, depois de algumas semanas no inferno. Preciso fazer minhas coisas. Preciso voltar.

E a cultura parece um meio essencial para fazer hoje. Assistir filmes e séries, jogar algo novo, ler um livro ou mesmo ouvir uma música são coisas que me ajudam. Parece que me equilibram e me fazem conseguir fazer outras coisas. Desde me relacionar, até a trabalhar em um viés econômico. Preciso desse equilíbrio. Preciso do meu equilíbrio.

Afinal, cada um tem sua própria guerra infinita.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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