Cambridge Analytica escancara a treta dos joguinhos em Facebook.

Cambridge Analytica escancara a treta dos joguinhos em Facebook.

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Quem é você em Os Goonies? Quem é a sua alma gêmea? Você é uma pessoa narcisista? Qual a sua inclinação política? Quem é você em Friends? Qual personagem de Walking Dead te representa? Qual dragão da literatura mais combina com você?

Perguntas como essas costumam estampar joguinhos divertidos no Facebook. Sem dúvida, eles são uma mania. Não apenas no Brasil, mas nos Estados Unidos e no Reino Unido também parecem ser. Porém, mais do que divertidos, eles são perigosos.

Vocês já ouviram falar em uma empresa chamada Cambridge Analytica? Ela é inglesa. Sua função é traçar estratégias online para cunho eleitoral. É um grupo vinculado à direito que trabalhou muito para garantir a eleição de Donald Trump nos EUA e a saída do Reino Unido da União Europeia. Como mágica, a empresa sempre sabia o que o eleitor queria. Ela sempre sabia o que agradaria cada público para conquistar o voto desejado.

Porém isso não era magia, mas, sim, tecnologia. A Cambridge Analytica está sendo acusada, após investigação do The New York Times e do The Guardian, pelo roubo de informações de mais de 50 milhões de usuários do Facebook. Como isso acontecia? Por meio dos jogos de testes psicológicos do Facebook.

Sabe quando você entra no site para fazer um teste e permite sua conexão utilizando o login da sua rede social? Há algo que nunca é contato para ti. Eles costumam continuar conectados à você, capturando todas as suas informações. Tudo bem, você autorizou o Facebook a acessar seus dados, imagens e ideias colocadas em posts. Mas será que você autorizou uma empresa X, completamente desconhecida, a ter acesso à tudo isso. Infelizmente sim, porém talvez você nem faça ideia de tal coisa.

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Foi isso que a Cambridge Analytica fez. Utilizando testes psicológicos, ela teve acesso à privacidade de mais de 50 milhões de pessoas sem autorização expressa. Esses dados foram utilizados para, por exemplo, traçar a estratégia eleitoral da eleição de Trump. Tudo meticulosamente orquestrado. Durante os momentos finais da campanha, eles sabiam exatamente em qual estado investir dinheiro para garantir a eleição.

O Facebook foi atingido em cheio, pois o serviço permitiu e conhecia muito bem tais práticas. Mark Zuckemberg está completamente desaparecido desde que o escândalo estourou. Um total silêncio. Afinal, o próprio Facebook utilizava tais estratégias para lucrar. Oferecer seus dados à outras empresas. Com isso, ele não pode falar muita coisa sobre os dados roubados, pois também está na mesma lama que a empresa inglesa.

Quem é a Cambridge Analytica?

Fundada em 2011 por Robert Mercer, ligado à extrema direita, a empresa era presidida por Steve Bannon, principal assessor de Donald Trump. Seus dois principais cases de “sucesso” foram a eleição de Trump à presidência dos Estados Unidos e a saída do Reino Unido da União Europeia, tendo sido contratada pela equipe que coordenava a campanha pelo Brexit.

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A imagem mostra James Nix falando. Ao fundo há um slide com o logo da Cambridge Analytica e o texto "O Poder do Big Data e da Psicografia no processo eleitoral".Segundo informações do The New York Times e do The Guardian, além dos jogos psicológicos, a empresa também comprava acesso à informações do próprio Facebook. Isso possibilitava à ela traçar estratégias cirúrgicas para vencer. Além disso, a empresa também praticava suborno, como foi revelado pelo Channel 4 dos Estados Unidos. A utilização desses subornos, espionagem e utilização da prostituição eram estratégias para encurralar políticos.

As práticas de roubo de dados ocorriam desde 2014. Ela oferecia um jogo de testes psicológicos e oferecia pequenas quantidades em dinheiros aos usuários que o fizessem. Segundo o acordo em contrato, tais resultados seriam utilizados para fins acadêmicos. Mas os resultados dos testes não eram importantes. Ao fazer o teste, você fazia login pelo Facebook e autorizava, sem saber, o acesso às suas informações.

E não eram apenas as pessoas que faziam os testes que tinham seus dados coletados. Estima-se que apenas 270 mil pessoas fizeram o teste. Porém, a partir do acesso ao Facebook dessas pessoas, a Cambridge Analytica conseguia capturar informações de todos os seus contatos, chegando ao número de mais de 50 milhões de pessoas envolvidas no escândalo.

Atualmente, a empresa atualmente presidida pelo britânico Alexander James Ashburner Nix, está sendo investigada no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Mark Zuckemberg e o Facebook continuam em silêncio, mesmo ao observaram a queda de suas ações.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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