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Brumadinho e a queda de Moria

Brumadinho e a queda de Moria

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São várias as histórias fantásticas da Terra Média. Tolkien criou inúmeros contos que dialogam com a realidade com a qual passamos. Entre eles, um me chamou a atenção nos últimos dias. O conto sobre o reino dos anões conhecido como Khazad-Dûm. Mais tarde esse reino passou a ser conhecido como Moria.

Para quem apenas assistiu aos filmes, Moria é a cidade pelo qual a sociedade do anel se defronta com o Balrog, o demônio de Fogo. Gandalf, o cinzendo, acaba ficando para traz e batalha com o demônio, reaparecendo posteriormente como Gandalf, o Branco.

Mas como a cidade mais poderosa dos anões ficou daquele jeito?

Segundo os contos de Tolkien, Khazad-Dûm foi o primeiro reino dos anões. Aos poucos se sagrou como o mais poderoso dos reinos, fazendo frente e resistindo aos ataques do primeiro senhor do escuro, Melkor.

Para os desavisados sobre a mitologia da Terra Média, Sauron, o vilão de O Senhor dos Anéis, era um mero lacaio do primeiro senhor do Escuro. Com a queda de Melkor é que ele se torna o segundo senhor do Escuro.

Isso mostra o quanto os anões eram poderosos, resistindo sozinhos, e depois fazendo uma aliança com humanos e elfos para continuarem a resistir.

Nada poderia parar os anões, a não ser eles mesmos.

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A queda de Khazad-Dûm ocorre muitos séculos depois da queda de Melkor. Os anões eram exímios mineradores, tendo como uma fraqueza a sua ganância. Seu maior reino se tornou tão poderoso graças a mineração do metal Mithrill, utilizado na força das melhores armas e armaduras. Eles vendiam esse metal, trocando-o por ouro com outros reinos.

Quando o Mithrill de Khazad-Dûm acabou, os anões resolveram cavar ainda mais fundo na montanha onde ficava sua principal cidade. Essa ganância seria o fruto da queda desse reino tão poderoso. Ao escavar cada vez mais fundo para saciar a sua sede por riquezas, os anões se depararam com um terror há muito adormecido.

Gandalf enfrentando o Balrog em Moria
Gandalf enfrenta o Balrog

Um Balrog dormia nas profundezas da montanha e, ao despertar, acabou arrasando a cidade e matando Durin, o rei dos anões . O demônio de fogo era um antigo servo de Melkor, e atendeu ao chamado de Sauron. Khazad-Dûm ficou conhecida como Minas Moria e os Orcs tomaram conta do local.

Tolkien escreveu esse conto para conversar sobre o perigo da ganância humana, forjada pelo mundo capitalista. Há poucos dias um grave crime ocorreu no Brasil. Assim como Moria, ele foi causado pela ganância. Em sua sede de lucro, a Vale não investiu o necessário para cuidar dos dejetos de sua mineração. Uma barragem se rompeu, ocasionando um novo crime ambiental em Brumadinho, Minas Gerais.

Imagem com um antes e depois de Brumadinho. A primeira imagem é cheio de verde e algumas casas. A segunda é cheio de lama.
Brumadinho antes e depois do crime da mineradora Vale
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Há pouco mais de três anos, o mesmo ocorreu em Mariana, também em Minas Gerais. Um crime também cometido pela Vale, por meio de sua subsidiária, Samarco.

Ao todos já temos a confirmação de 37 mortes em Brumadinho. Porém esse número provavelmente passará dos 300, já que diversas pessoas ainda estão desaparecidas. Sem contar a destruição ambiental.

A Vale deve ser responsabilizada, mas acima de tudo devemos responsabilizar uma sociedade que carrega os valores do lucro. Em que a riqueza vale mais do que a vida humana.

Não devemos cometer o mesmo erro que os anões.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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