American Vandal faz sátira com filmes de investigação
Jimmy Tatro, interpreta o personagem que é acusado de pixar pênis em 27 carros.

American Vandal faz sátira com filmes de investigação

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Quando decidi assistir American Vandal, tenho que confessar que estava em busca de algo descerebrado. A premissa da investigação sobre quem pixou 27 pênis (ou pênises) nos carros dos professores pareceu ser algo nesse sentido. A série original do Netflix se propõe à satirizar dois gêneros diferentes, além de satirizar nossa própria realidade.

A grande questão inicial era se a série conseguiria sustentar o seu humor adolescente por 8 episódios de 40 minutos. A resposta é um grande NÃO. No começo está tudo lá, o humor escrachado derivado de American Pie. Os esteriótipos de ensino médio perfeitamente desenhados em tela. Um jovem aspirante a jornalista rejeitado por todos que quer desvendar o crime. Um cara zoeiro e valentão sendo acusado do crime por já ter um passado de pegadinhas. Um professor tarado e babaca. Uma líder de torcida popular. E, por fim, atores adultos e com caras de adultos interpretando adolescentes. Tudo o que um besteirol necessita ter, mas, ao passar dos episódios, a série muda de figura.

O Valentão é aprofundado e demonstra ser carente. A líder de torcida é uma ativista política. O professor tarado e babaca… Bem, continua sendo tarado e babaca, mas é punido exemplarmente. Aos poucos a série busca fugir da zona de conforto de um besteirol e revela nuances importantes.

Muitas críticas se fazem presente. Desde o jornalismo investigativo que destrói a vida de pessoas em busca de repercussão (bem parecido com o que vivemos em tempos de lava-jato), até o comportamento tóxico que figuras de autoridade que se acham donas da verdade costumam ter com aqueles que estão sobre suas asas.

Porém a crítica mais importante fica para o personagem título. O American Vandal, Dylan Maxwell, interpretado pelo youtuber Jimmy Tatro. Ele acaba sendo o personagem mais aprofundado, afinal a história (narrada como um mocumentário) se centra nele. O seu passado e presente são expostos e levantam questionamento. Afinal, como se forma a personalidade e identidade de uma pessoa que desde muito nova é perseguida por um esteriótipo sobre quem deveria ser? A pergunta é fundamental e, infelizmente, em sua primeira temporada, é abordada apenas superficialmente. Apenas no último episódio.

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Mas é uma questão bastante presente no mundo real. Vivemos à base de esteriótipos. Um perfil superficial e simplista que dita como uma pessoa deve se comportar e como deve ser tratada. É necessário levantar questionamentos. Temos várias figuras colocadas nessa lista: o negro ladrão e vagabundo, a mulher gostosa e burra (a que merece ser estuprada), o gay escandaloso e tarado. São figuras que tomam conta do imaginário popular e norteiam a forma como muitos de nós somos tratados. Como esse comportamento influencia na criação de identidade dessas pessoas? Quando toda uma sociedade te trata como um esteriótipo simplista, que dita o que você deveria fazer, como deveria se comportar; como a sua identidade se desenvolverá a partir disso?

American Scandal não é uma boa pedida pra quem quer um humor descerebrado. Ela até começa bem nesse quesito, mas não se segura durante as mais de 6 horas de produção. Também não é uma boa pedida para quem quer algo a se fazer pensar, já que entrega isso apenas pequenos momentos. Porém, estranhamento, ainda é uma produção interessante. É ruim, mas é boa.

A série teve a sua segunda temporada confirmada pela Netflix. Ela deve estrear no segundo semestre de 2018.


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Rafael TAB

Rafael tem 26 anos e mora no interior de São Paulo. Diagnosticado com transtorno bipolar é fissurado por cultura pop e nerd desde os 9 anos de idade quando foi apresentado ao sítio do Pica Pau Amarelo e logo depois ao fantástico mundo de Harry Potter. Hoje é um grande fã de O Senhor dos Anéis e Star Trek. Tem fascinação por áudio-visual, tecnologia e games.

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