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Os conflitos raciais e classistas em Green Book

Um dos filmes indicados ao prêmio máximo do Oscar deste ano é Green Book. O filme traz uma roadtrip entre o pianista Dr. Don Shirley (interpretado por Mahershala Ali) e o motorista Tony Lip (interpretado por Viggo Mortensen). Se passando nos anos 60, a obra mostra o racismo existente nos EUA daquela época, algo que ainda existe nos dias atuais.

Don vai fazer uma turnê pelo sul dos Estados Unidos durante a época da segregação. Para sua segurança ele deve acompanhar um guia-turístico chamado Green Book. Esse livro verde traz uma lista de locais onde pessoas negras poderiam permanecer seguras no sul dos Estados Unidos. Infelizmente era um livro necessário, já que o próprio filme demonstra que toda vez que o pianista saia fora dos locais seguros, algo terrível acontecia.

Para manter sua segurança, ele contrata o motorista brigão Tony Lip. Um italiano clássico e caricato que diversas vezes é convidado a trabalhar para a máfia italiana. Lip representa a postura padrão da época, demonstrando comportamentos racistas logo no início do filme. Mas ele não escapa de sofrer outro tipo de opressão. A opressão de classe.

Enquanto Lip faz parte dos 99%, morando em uma casa simples no subúrbio, Don vive em um palacete, onde tenta, com todo o seu dinheiro, resgatar sua africanidade por meio da compra de artigos de luxo originários do continente.

Durante o filme eles acabam formando um clássico bromance, após um início turbulento. Don via em Lip o racismo pelo qual sempre passou, e o motorista via no pianista a classe social que o oprimia com todas as suas regras e luxo.

Infelizmente, o filme acaba se perdendo e não consegue aprofundar esse debate. Porém é possível ver vislumbres disso em algumas cenas. Dr. Don não deixa de ser oprimido e até de sofrer violência por conta de sua condição financeira. A cor da sua pele o torna um alvo do racismo institucionalizado dos EUA. Já Tony passa boa parte do filme obedecendo as ordens do pianista para garantir o sustento da sua família, ao mesmo tempo em que sofre nas mãos das pessoas ricas para quem Don vai tocar.

Green Book não é o melhor filme do ano, nem mesmo politicamente (já que temos Infiltrados na Klan concorrendo), mas é um filme que merece e precisa ser assistido.

O filme é dirigito por Peter Farelly, que também escreveu o roteiro em conjunto com Nick Vallelonga (filho do verdadeiro Tony Lip) e Brian Currie. Vale ressaltar a falta de pessoas negras na produção do filme. O diretor e os roteiristas são Brancos. Isso pode ser uma das causas por não ser um filme tão bom assim.

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