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Análise de Homem-Aranha de volta ao lar

Foram anos e anos de espera e, depois uma palhinha do que estava por vir em Guerra Civil, Homem-Aranha finalmente volta à sua casa. A Casa de Ideias, como também é conhecida a Marvel, brigou durante anos pelo retorno do seu herói mais famoso para casa e conseguiu isso em partes, já que o direito de uso do personagem ainda pertence à Sony, porém agora uma parceria entre as duas empresas tornou possível a construção desse grande e contido filme.

Contido é a palavra a ser usada e, muito provavelmente, isso é o que faz com que Homem-Aranha de Volta ao Lar seja um grande filme. Ele mostra a escala certa de um Homem-Aranha adolescente, fascinado com um novo mundo de oportunidades que se abre à sua frente desde sua aparição em Guerra Civil, porém, antes de aproveitar tudo isso, precisa aprender um pouco lidar consigo mesmo e com aquilo que o rodeia. É um tanto irônico que seu padrinho nesse novo mundo de super heróis seja o Homem de Ferro, de longe o mais irresponsável e inconsequente dos heróis da Marvel apresentados no cinema até agora (disputando de perto com o Senhor das Estrelas de Guardiões da Galaxia).

Homem de Ferro aparece de maneira contida, porém essencial.

A premissa do filme é bem básica. Peter Parker acabou de voltar de sua grande aventura no aeroporto de Berlim, onde lutou ao lado do time do Homem de Ferro contra o time do Capitão América, e se vê novamente na rotina de um adolescente de 15 anos que, convenhamos, não é das rotinas mais agitadas do mundo. O tédio é o principal inimigo inicial do Homem Aranha que, entre resgatar bicicletas de donos misteriosos e ajudar uma senhora a encontra o caminha para algum lugar, acaba se deparando com um perigoso inimigo, um traficante de armas de alta tecnologia que fabrica artilharia pesada misturando o conhecimento terráqueo com o que conseguiu recuperar dos destroços alienígenas das batalhas de Nova York e Sokóvia.

O essencial do que faz com que o Homem Aranha seja o Homem Aranha está presente no filme. A inteligência de Peter Parker está ali, assim como sua falta de grana e seu humor afiado. O filme é muito diferente da versão de Sam Raimi e de Marc Webb, mostrando uma história muito mais leve e contida do que aquela. Dessa vez nada de confrontar vilões mega-poderosos que ameaçam a existência humana ou tem forças para dizimar uma cidade. O inimigo é um homem simples com um equipamento voador com quem Peter raramente se encontra cara-a-cara, porém, quando esse encontro acontece, as coisas acontecem de maneira empolgante.

O grande desafio do protagonista é se provar como um verdadeiro herói, assim como provar para Tony Stark que ele pode fazer parte dos vingadores. Tony tem uma presença essencial, porém também contida no filme. Com o lançamento dos trailers achei que teríamos uma superexposição do personagem de Robert Downey Jr, porém ele pouco aparece e, mesmo quando aparece, nem sempre é da maneira esperada, porém sempre é essencial para contar a história a qual a obra se propõe.

Tom Holland tem uma atuação ótima durante todas as duas horas e pouquinho de imagens. Ele conseguiu dar vida ao Peter Parker que todos nós queriamos ver e, acima de tudo, dar vida ao Homem Aranha. É engraçado, é arrojado e ao mesmo tempo é tímido e sem confiança em ambas as suas personas.

Provavelmente é o filme solo de um herói em que o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) mais está presente, com incontáveis referências ao passado da franquia da Disney. Começa logo na primeira cena em que vemos o vilão do filme, Abutre, antes de se tornar quem era, recolhendo os entulhos da Batalha de Nova York, ápice do primeiro Vingadores. As referências continuam e nos lembram, à todo o momento, que o Cabeça de Teia está de volta ao seu lar. O lugar que deveria ter ficado distante apenas em Homem Aranha e Homem Aranha 2, se Sam Raimi, os únicos filmes que prestam do aracnídeo antes de De Volta ao Lar.

Desde a aparição de Loki não tínhamos um vilão tão bem construído na Marvel

Porém, mesmo com todas as referência, Michael Keaton rouba a cena. O antigo Batman, encarna agora o vilão abutre que, muito provavelmente, é o vilão mais trabalhado da Marvel desde Loki. O personagem é bastante aprofundado e cheio de nuances. Suas motivações me fizeram levantar da cadeira e sei que mexeram diretamente com a decisão final de Peter Parker no filme, podendo ser a base do futuro afastamento que o aracnídeo pode ter de Tony Stark. A realidade é que ele está correto em seus pensamentos, porém tomou decisões erradas que o fizeram ser o vilão da história. Um personagem desses poderia facilmente se tornar um herói, caso ações diferentes tivessem ocorrido, e isso fica claro na primeira cena pós crédito do longa.

Bem vindo novamente ao lar, cabeça de teia.

Homem Aranha De Volta ao Lar já deve estar presente em DVD e Blue Ray e logo deverá constar no catálogo do serviço de Streaming vermelhinho (e você deverá correr para assistir antes que a Disney, com seus olhos mirando nas barras de ouro, lance o seu próprio serviço e abandone de vez a Netflix).

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